Arte a flor da pele

Modelo - Mauricio Pina - Foto Ronaldo RodriguesMuitas pessoas em todo o mundo utilizam sua pele como tela viva, onde são pintadas figuras que costumam representar experiências passadas, bravura, status, beleza, proteção contra mau olhado ou espíritos. Alguns povos acreditam que tais figuras trazem a fertilidade, dão poderes mágicos, suportam transformações e permitem a conexão com outros mundos. Este tipo de expressão humana, de pertença a uma determinada tribo ou comunidade existe em dois mundos paralelos, o dos antigos rituais e tradições, que são tão antigos quanto a espécie humana, e o da arte corporal como uma forma de arte contemporânea.

Fazer pinturas usando como mídia o corpo humano pode parecer diferente e inovador, mas não é. Ainda no tempo em que grunhia e não articulava qualquer palavra, o homem já exercia o instinto de ser artista, interpretando cenas do cotidiano no fundo das cavernas ou enfeitando o próprio corpo com os malcheirosos pigmentos naturais dissolvidos em gordura animal.

Modelo - Savannah Ryan - Foto acervo pessoalTem havido um revival da pintura corporal na sociedade ocidental desde os anos 1960, em parte motivada pela liberalização dos costumes sociais sobre nudez, e muitas vezes vêm em formas sensacionalistas ou exibicionistas. Ainda hoje há um debate constante sobre a legitimidade da pintura no corpo como uma forma de arte. Pode-se dizer que o renascimento moderno ocorreu em 1933, na Feira Mundial de Chicago, quando Max Factor e sua modelo Sally Rand, foram presos por causar uma perturbação da ordem pública por Max ter pintado o corpo de Sally com seu novo make-up formulado para os filmes de Hollywood.

Ao contrário da tatuagem e de outras formas de arte corporal, a pintura sobre a pele humana é temporária, tem a duração de um dia, ou poucas horas, é uma arte de performance, em que artistas usam ou abusam do seu próprio corpo para fazer suas declarações particulares. Alguns trabalhos são tão complexos e perfeitos que os observadores têm dificuldade em reconhecer o corpo humano e o posicionamento físico da pessoa que foi pintada.

Enquanto a tinta é aplicada, a intenção do artista começa a tomar forma e se concretizar, e abre nossos olhos para a diferente maneira de ver uma obra de arte. O debate entre o que é arte e o que não pode ser considerado como tal, encontra espaço no campo da bodypaint, seus executores são artistas ou maquiadores? Como em todo tipo de arte, temos uma vasta gama de trabalhos que satisfazem ou não todos os gostos, desde o mais simples ao sofisticado, do óbvio ao surpreendente, do comum ao extraordinário.

Por: Edna Pessanha

Acesse e leia reportagem completa:
Revista Documenta Press
www.documentapress.org