Após se tornar subsecretaria quais as diretrizes da SUTACO para o artesanato paulista?

0124Atualmente cerca de dez milhões de artesãos estão espalhados pelas grandes e pequenas cidades brasileiras, este ano com a aprovação por parte do governo federal da regulamentação da profissão de artesão, a comemoração do dia do artesão teve um gosto especial. O projeto também estabelece diretrizes para as políticas públicas de fomento ao artesanato, institui a carteira profissional da categoria e autoriza o Executivo a criar a Escola Técnica Federal do Artesanato.

Além de materializar a alma da cultura brasileira, o artesanato é um setor da economia cujo crescimento possui alto potencial de geração de trabalho e renda, merecendo uma política de desenvolvimento sustentável voltada para o setor e associada a projetos sociais e de desenvolvimento turístico, é de suma importância que os governos federal, municipal e estadual tenham políticas de incentivo a prática do artesanato.

Criada em maio de 1970 para fomentar o artesanato paulista, a SUTACO inicialmente uma Autarquia, hoje é a Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades integrando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado de São Paulo, e também coordena o Programa do Artesanato Brasileiro no Estado.

Segundo profissionais do setor, apesar da existência da SUTACO, o segmento de artesanato em São Paulo carece de organização da produção, o artesão precisa saber quanto gasta, para saber se é capaz de atender uma determinada encomenda. Outro ponto é a ampliação de repertório, de referências, para que as pessoas façam produtos melhores e mais atraentes do ponto de vista do mercado, e mais recompensadores do ponto de vista da auto-estima. O trabalho manual continua sendo uma febre há revistas, DVDs, sites, blogs e programas de televisão, o que facilitou o aprendizado do artesanato, porém continua difícil para o artesão fazer um trabalho diferenciado.

Faltam ainda políticas públicas específicas para o setor, a fim de combater o maior obstáculo ao desenvolvimento do artesão: a informalidade. As feiras estão sucateadas, a Praça da República, antes uma referência do artesanato paulista, hoje é abandonada pelos expositores, que reclamam devido ao excesso de revenda, o industrianato invadiu as feiras, o artesanato somente copia, não conta uma história, não há o reconhecimento de que ele é uma grande vitrine para atrair mais negócios para as prefeituras e para o Estado.

Acredita-se que este segmento movimente anualmente, cerca de R$ 28 bilhões no Brasil, valores correspondentes a 2,8 % do Produto Interno Bruto (PIB), estimando-se que o artesanato, em toda a cadeia produtiva, emprega cerca de 10 milhões de pessoas, o que o caracteriza como um setor da economia, habilitando o artesão como um profissional a ser reconhecido dentre as demais categorias.

A comercialização dos produtos artesanais é outro desafio para o artesão, tanto no que se refere ao acesso ao mercado interno ou externo, quanto na questão do lucro, por estarem em quase sua totalidade no setor informal, se sobrevive com estreitas margens de ganhos causados por uma administração equivocada e da negociação onde produtores e consumidores saem perdendo, esta situação é agravada pela concorrência com o industrianato.

Além de políticas públicas, a organização dos artesãos transformam as fragilidades e dificuldades em fortalecimento para ações e boas perspectivas no que se refere a geração de renda e valorização da cultura, refletindo em aumento da produtividade, com qualidade e inovação, contribuindo para que sua produção seja competitiva no mercado, além de desenvolver uma cultura empreendedora para o segmento, uma vez que esta é a principal manifestação cultural do país.

O artesão necessita conquistar e se estabelecer no mercado, estimulando não apenas seu lado empreendedor, mas também o fortalecimento de associações, cooperativas e demais grupos de artesãos e de micro e pequenos negócios que movimentam a economia local, geram emprego e renda não só para a família do artista, mas também para toda a sua comunidade.

Desde o mês de março de 2016, o Portal Anapress tem entrado em contato via telefone e e-mail com a SUTACO, Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades, a fim de saber suas diretrizes para o fomento do artesanato no Estado de São Paulo. Porém, após insistentes tentativas, a subsecretária Elisabete Bacelar do Carmo, respondeu via e-mail apenas algumas poucas perguntas por nós enviadas e não mais atendeu nossas insistentes solicitações para que respondesse por completo a entrevista. Sendo assim, não poderemos discorrer sobre o trabalho da SUTACO nesta matéria.

Por: Edna Pessanha