Motor de impressora vira carregador de celular

As melhores ideias são as mais simples e econômicas. E isso tem tudo a ver com o reaproveitamento de materiais. Conheça a ideia de dois jovens que transforma resíduos tecnológicos (e um pouco de força muscular) em energia!

Junte bicicleta, um carregador de celular que não usa a rede elétrica e o reaproveitamento de lixo eletrônico. Melhor só se eu tivesse um!

Acoplar pequenos motores à roda de uma bicicleta para transformar energia mecânica em elétrica. Essa é a ideia do trabalho de conclusão de curso dos estudantes João Berrocal e João Yamashita, ambos com 18 anos (em 2016), formandos do curso técnico em Eletrotécnica do Campus Campo Grande do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).

Carregar o celular enquanto se pedala não é novidade, mas o diferencial aqui é o carregador ser feito a partir de lixo digital descartado.

 

Esse tipo de transformação não é novidade. Usar uma força mecânica para produzir energia elétrica é o princípio aplicado em hidrelétricas, por exemplo. Já existem no mercado carregadores para celulares que podem ser conectados às bicicletas e que custam cerca de R$ 150,00. O diferencial encontrado pela dupla é usar peças de produtos que não funcionam mais para desenvolver o protótipo. Nas palavras do professor orientador, Fernando Guimarães, os estudantes estão fazendo engenharia reversa, ou seja, criando um novo produto de custo baixo a partir de lixo tecnológico. “Essa reciclagem tecnológica é muito importante nos dias de hoje, quando temos muitos produtos que são descartados”, avaliou o professor.

Dependendo do vigor da pedalada e do modelo de celular, o carregador tem capacidade para recuperar 100% da bateria do aparelho celular em 20 minutos!

 

Os estudantes usaram dois motores de uma velha impressora para desenvolver o carregador, capaz de recuperar a carga da bateria de um celular com as pedaladas. “São os motores que puxam o papel”, esclareceu Berrocal. O movimento da roda da bicicleta faz o mecanismo do motor se movimentar e gerar energia, que chega até um capacitor e uma pequena tomada USB, na qual é ligado o celular. “Pode-se ter uma infinidade de utilizações, mas voltamos nosso trabalho para carregar o celular. Montamos um circuito com capacitores e um regulador de tensão. O capacitor continua carregando mesmo quando a pessoa para de pedalar”, explicou o estudante. Segundo o professor Guimarães, o invento tem feito sucesso nos locais em que é apresentado por conta da praticidade e por aliar um esporte que está na moda, o ciclismo, com a necessidade das pessoas de estarem conectadas aos seus celulares.

Motores de impressoras (aqueles que puxam o papel para impressão) são reutilizados para carregar celulares.

 

“O mais importante é que eles conseguiram colocar em prática aquilo que aprenderam em sala de aula. Hoje você vê o projeto acabado e está bacana, mas eles tiveram que pesquisar e evoluir. O ganho pedagógico foi o melhor de todo processo”, explicou. Desde que o trabalho foi apresentado, em agosto deste ano, os jovens já levaram o projeto à Olimpíada do Conhecimento, promovida pelo Senai, e fizeram uma demonstração no evento Portões Abertos, organizado pelo Comando Militar do Oeste (CMO). O próximo passo é apresentar o projeto na Feira de Ciência e Tecnologia do Campus Campo Grande (Fecintec) do IFMS. A esperança é conseguir classificação para participar de eventos científicos estaduais e nacionais.

Por: Ricardo Ricchini
Setor Reciclagem