Feira Raízes Brasileiras é um completo fiasco e deixa expositores atônitos

Realizada entre os dias 07 e 11  de novembro no Expo Center Norte, na cidade de São Paulo, a feira viveu dias de agonia, mesmo bem montada e com grandes nomes do artesanato o evento não deu largada. Faltou o principal: público. O mesmo que fazer um bolo sem fermento.

Não é a primeira vez e nem será a última,  em que feiras como “O SALÃO DO ARTESANATO – RAÍZES BRASILEIRAS 2018” ,naufragam em sua própria arrogância e despreparo técnico, motivados pela visão descabida de que São Paulo comporta qualquer coisa  e aqui  tudo se vende sem precisar rever critérios ultrapassados de planos mídia e formas adequadas e de longo prazo para divulgação de um evento.
Experiência parecida teve a mais de uma década, em seu inicio a feira ART MUNDI , no  então pavilhão de exposições Anhembi -SP na ocasião, e não teve sequência em virtude de vários fatores, sendo  um deles o alto custo de mídia sem o retorno  de público e vendas esperado.
Diferente da direção do Salão do Artesanato, a Art Mundi , inteligentemente logo alterou sua estratégia, e mudou seus critérios, fixando-se  com muito sucesso na cidade de Santos, onde existe até  os dias hoje.
O Salão do Artesanato é organizado pela Rome Feiras e Exposições , empresa sediada em Brasilia e que organiza alguns eventos de importância regional , e  que nos últimos anos decidiu aventurar-se em outras praças sem sucesso , uma vez que sua estratégia de marketing é ultrapassada e baseada em agências de renome, e não em conhecedores do meio e do publico em questão, visitantes de feiras de artesanato, simples assim.
Há muito anos está claro que planos de mídia de curto prazo e sem  pulverização direcionada nos diversos tipos de mídias existentes e do seguimento  já não funcionam mais,  ao menos para as feiras do setor, não rendem publico. Com magnitude ainda maior em grandes cidades como São Paulo , onde a velocidade de informações não tem precedentes e tiram a todo instante o foco de possíveis visitantes.
De admirar foi a participação do PAB  (Programa do Artesanato Brasileiro) de forma maciça em uma feira de primeira edição e alto grau de risco, simplesmente investir em um projeto principiante nessa magnitude e desconsiderar outros eventos já tradicionais e consolidados no calendário de feiras e eventos do seguimento em São Paulo é um caso a se pensar : incompetência ?  descaso ?  ou ambos  ? …já que o dinheiro é publico. Falta ao PAB bom senso e mais que isso, falta-lhe senso de realidade, parecem que vivem num mundo virtual e do faz de conta, num imenso jogo de egos. Artesanato é um negócio , vidas dependem dele, é preciso saber jogar ,  apostar e investir no evento certo. Simples assim.
Por fim, tivemos acesso a um áudio do organizador em um grupo de expositores e organizadores no whatsapp , onde ele dizia que muitos expositores alegaram não ter tido prejuízos. Claro, se ele está se referindo aos trazidos pelo PAB  (Programa do Artesanato Brasileiro ) com certeza não tiveram prejuízo mesmo, já que não pagaram o espaço que foi custeado pelo programa, ou seja, o que se vender, ainda que pouco, é lucro.
Os demais que pagaram seus espaços a peso de ouro não tiveram a mesma sorte e devem com certeza ter amargado prejuízos. Mas também não são inocentes, pois fizeram suas apostas em uma roleta viciada, cujos riscos já era de conhecimento de todos e as probabilidades de sucesso reduzidíssimas pelas próprias atitudes do organizador que deixou a desejar com relação a comercialização desses espaços. Bom ,mas ai já é outro capítulo a parte.
Resta agora , ao expositor despreparado e ansioso por feiras, que valorize seu dinheiro, invista em eventos já tradicionais nesse momento, os riscos serão menores, reveja seus conceitos e não aposte 100% de sua sobrevivência e de seus negócios apenas em  fazer eventos.
Por: Cassius Gama
*Cassius Gama é Conselheiro Instituidor da Agência Brasileira de Apoio à Cultura e articulista e colunista desse veículo.