Jovem de Caieiras pode disputar primeira medalha brasileira em modelagem de protótipos

Orgulho da família, Henrique Sobrinho Menezes, 20 anos, está hoje entre os jovens selecionados para disputar uma vaga na equipe brasileira da WorldSkills, a maior competição de educação profissional do mundo, na Rússia. Henrique é de Caieiras, Região Metropolitana de São Paulo e vai competir na modalidade modelagem de protótipos, que ainda não tem nenhum medalhista brasileiro.

“A minha expectativa é representar muito bem o nosso país e ser o primeiro campeão mundial na minha área. Se Deus quiser eu serei o primeiro brasileiro a subir no pódio”, sonha o jovem, que é técnico em mecânica, formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), onde também fez cursos de ferramentaria e moldes plásticos.

A 45ª edição da WorldSkills ocorrerá de 22 a 27 de agosto, no Centro Internacional de Exposições KAZAN EXPO em Kazan, na Rússia. A competição é realizada a cada dois anos e reúne os melhores alunos de países das Américas, Europa, Ásia e África e Pacífico Sul para disputarem medalhas em modalidades que correspondem às profissões técnicas da indústria e do setor de serviço.

Eles precisam demonstrar habilidades individuais e coletivas para responder aos desafios de suas ocupações dentro de padrões internacionais de qualidade. Há mais de 65 anos, a competição reúne jovens qualificados de todo o mundo, selecionados em olimpíadas de educação profissional de seus países, realizadas em etapas regionais e nacionais. Henrique se classificou em 2017, na etapa regional, e, no ano passado, passou pela nacional, na Paraíba.

O apoio da família, que sempre torceu e acompanhou todo o processo até aqui, foi fundamental para o bom desempenho de Henrique. Ele é o primeiro a ingressar nesta área, a participar de competições profissionais e a viajar para outro país. E apesar das dificuldades e dos duros treinamentos, as novidades deixaram o jovem e toda a família cheios de expectativas.

“Todas as fases são bem desafiadoras porque é uma prova que pode mudar sua vida. Tem bastante pressão, é difícil, tem competidores muito bons e o segredo de tudo é você manter a calma, fazer o que você treinou, se preparar bem, que no final tudo dá certo”, conclui.

A última etapa de treinamentos de Henrique para o mundial na Rússia ocorre em Brasília, junto com aproximadamente 50 jovens. Algumas modalidades irão se preparar nos centros de treinamento do SENAI localizados em Belém, Porto Alegre e Joinville, em Santa Catarina.

Educação Profissional
Assim como para Henrique, a educação profissional impacta positivamente a vida de diversos jovens no Brasil. Em 2017, cerca de 80% dos estudantes que concluíram cursos técnicos foram inseridos no mercado de trabalho já no primeiro ano. De acordo com levantamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o curso técnico é o caminho mais rápido para a inserção qualificada do jovem no mundo do trabalho e também uma opção para o trabalhador desempregado em busca de recolocação no mercado. O salário de um profissional técnico varia entre R$ 8,5 mil e R$ 12 mil.

Para o diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, o país tem potencial em educação profissional. “O Brasil tem sido representado pelo SENAI e pelo Senac, que tem as ocupações mais da área do comércio e serviços, e o Brasil fica sempre entre os primeiros colocados”, afirma.

A competição
Cada jovem competidor recebe um projeto e tem uma determinada quantidade de horas para desenvolver o desafio, da melhor forma possível. A habilidade técnica dos participantes é posta em xeque, cada um dentro da sua modalidade. Geralmente, o projeto de construção desafiador é inspirado em algum ponto turístico do país/cidade sede da WorldSkills, com três módulos.

São 56 modalidades técnicas que exigem adequação aos padrões mundiais. Segundo o gestor do projeto Brasil Kazan 2019, José Luiz Gonçalves Leitão os jovens devem ter conhecimentos sobre desenvolvimento e desenho técnicos, metodologia, medidas, interpretação de desenho, acabamento de produto e também sobre processos. “É um jogo de tempo. Cada uma das habilidades é trabalhada exaustivamente dentro dos padrões e eles são submetidos a vários testes, exercícios, durante esse período”, destaca.

A cada edição da WorldSkills, o Brasil participa com um número maior de competidores e melhora sua classificação no quadro de medalhas. Em 18 participações, o país já acumulou 136 medalhas. A melhor participação brasileira na história do campeonato foi em São Paulo, em 2015. Com 27 medalhas, o Brasil foi o primeiro do ranking de países.

 

Por: Aline Dias